"O Ingénuo, segundo o seu costume, acordou ao raiar da aurora (...). Não era como a boa sociedade que se definha na cama, ociosa, até o Sol ter percorrido metade do seu curso, incapaz de dormir ou de se erguer, consumindo horas preciosas num estado que não é vida nem morte, e que ainda se lamenta de que a existência seja curta."
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
terça-feira, 16 de setembro de 2014
"A Fera na Selva"
"Quando as próprias possibilidades (...) se tornassem caducas, quando o segredo dos deuses se esbatesse ou talvez até se dissipasse inteiramente, isso, e apenas isso, seria um fracasso. Ficar falido, ser desonrado, humilhado, enforcado, nada disso teria sido um fracasso. O fracasso resumia-se a não ter sido nada."
sábado, 9 de agosto de 2014
"Histórias do Bom Deus"
"O meu amigo paralítico ergueu o olhar e deixou que as nuvens do crepúsculo o levassem pelo céu fora. E perguntou: «Estará Deus então ali?» Fiquei calado. Depois, inclinei-me para ele, dizendo: «Ewald, estaremos nós então aqui?» E apertámos calorosamente as mãos."
"Histórias do Bom Deus"
"Aquilo que os sentidos nos dizem ser Primavera é para Deus um pequeno e fugaz sorriso que percorre a Terra. Esta parece então lembrar-se de qualquer coisa que durante o Verão contará até se tornar mais sensata no grande silêncio do Outono durante o qual apenas faz confidências aos solitários."
domingo, 27 de julho de 2014
"Histórias do Bom Deus"
"É um feito ficar solitário no meio de um silêncio inacessível, e os mortos talvez sejam os tais que se ausentaram, para meditarem na Vida."
sábado, 5 de julho de 2014
"Histórias do Bom Deus"
"Tinha diante de Si os olhos dos Anjos que lhe serviam de espelho e neles media as suas próprias feições, e criou lenta e cuidadosamente, numa esfera que tinha no colo, o primeiro rosto."
"Histórias do Bom Deus"
"(...) apressei-me a contar: «Pois, como bem entenderá, enquanto foram apenas as coisas a serem criadas, Deus não precisava de estar continuamente a olhar cá para baixo para a Terra. Aliás nada poderia acontecer. É certo que o vento já soprava sobre as montanhas, que eram parecidas com as nuvens que ele já há muito conhecia, mas ainda evitava as copas das árvores com uma certa desconfiança. E isso agradava bastante a Deus. Ele fizera as coisas, por assim dizer, enquanto dormia. Mas já com os animais o trabalho começou a interessar-lhe; debruçava-se sobre ele e raramente erguia as espessas sobrancelhas para lançar um olhar à Terra. Dela se esqueceu em absoluto quando criou o homem. Não sei a que parte complicada do corpo Ele acabara de chegar quando à Sua volta se agitaram asas. Um Anjo passou rapidamente por Ele e cantou: 'Tu que tudo vês...'
Deus sobressaltou-se. Tinha feito o Anjo cair em pecado. pois este acabara de cantar uma mentira. Deus Pai olhou rapidamente para baixo."
domingo, 29 de junho de 2014
Prefácio de "O Existencialismo é Um Humanismo"
"(...) o homem é, no «reino» da criação, não apenas o «rei», mas largamente o verdadeiro criador."
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