Vladimir: Yes, yes, we're magicians."
domingo, 18 de setembro de 2022
"Waiting for Godot"
"Estragon: We always find something (...) to give us the impression we exist?
Vladimir: Yes, yes, we're magicians."
Vladimir: Yes, yes, we're magicians."
"O Louco"
"Perguntas-me como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu tinha confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram-se de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E, quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepando no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez a minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava a minha face nua, e a minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais as minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram as minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança na minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós."
sexta-feira, 5 de agosto de 2022
“O Olho Cosmológico”
“De súbito estou à beira-mar e não me lembro de o comboio ter parado. Não me recordo sequer de ter partido. Fui apenas lançado na praia como um cometa.”
“O Mundo como Vontade e Representação”
“Todo o mundo objectivo é e permanece representação, e, por esta razão, é absoluta e eternamente condicionado pelo sujeito; por outras palavras, o universo tem uma idealidade transcendental.”
"Epístolas Morais a Lucílio”
"Queres saber aquilo que deves, acima de todas as coisas, evitar? A multidão. Ainda não estás pronto para te unires a ela em segurança. Estou decidido a confessar-te a minha fraqueza: nunca retorno com o mesmo ânimo com que saí; algo que harmonizei é perturbado, algo que sepultei agora retorna. O que sucede aos doentes, aos quais uma longa debilidade os impede de ir a qualquer parte sem que sofram recaída, também recai sobre nós, cujos espíritos recuperam-se de uma longa moléstia. É nocivo o convívio com muita gente: não há ninguém que não nos impregne algum vício, ou nos contamine, ou nos contagie sem que saibamos. Por isso, quão maior é a massa à qual nos misturarmos, maior é o perigo."
"Um dia, quando fizeres as contas e descobrires que o
teu tempo chegou à sua metade, olharás para a frente,
sem saber se o que vês é sonho
ou realidade. Assim me aconteceu,
e nesse lugar obscuro, em que os instantes se erguiam
feita de ponteiros que rodavam na cabeça, sem que os
pensamentos ásperos como feras de que me quis
antigos, as doces ilusões de quem acredita, ainda, que
deste bosque tão obscuro como o destino que perdi,
que sou presença viva, também, agora que o sol se
«Segue-me», disse, «e abandona as tuas esperanças,
quem te fez sonhar, ou esse corpo que um dia
Assim o poeta me obrigou a abandonar quem fui, e
desses que esqueci vinham ao meu encontro, num
ou realidade. Assim me aconteceu,
e nesse lugar obscuro, em que os instantes se erguiam
como troncos de uma floresta
feita de ponteiros que rodavam na cabeça, sem que os
pudesse deter, os pensamentos empurravam-me para
longe de mim. Ah,
pensamentos ásperos como feras de que me quis
libertar, correndo à sua frente
até perder a memória do que vivi: amores
até perder a memória do que vivi: amores
antigos, as doces ilusões de quem acredita, ainda, que
a vida é fértil como um campo de ilusória eternidade.
Agora, nos confins
deste bosque tão obscuro como o destino que perdi,
uma sombra se ergue, de costas para mim, como se
não adivinhasse
que sou presença viva, também, agora que o sol se
ergue, iluminando o rosto desse guardião dos que
perderam o seu rumo.
«Segue-me», disse, «e abandona as tuas esperanças,
como despojos inúteis para
a tua caminhada. Esquece quem abraçaste,
a tua caminhada. Esquece quem abraçaste,
quem te fez sonhar, ou esse corpo que um dia
desejaste, sem nunca o abraçar; e traz contigo os
versos em que o cantaste.»
Assim o poeta me obrigou a abandonar quem fui, e
com ele encontrei essa porta que nunca pensei
transpor, vendo como as almas
desses que esqueci vinham ao meu encontro, num
vento de imagens, e me abriam os olhos para um rio
sem fim, sem fonte nem estuário."
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