domingo, 29 de maio de 2022

"O Pêndulo de Foucault"

"... estamos a projectar uma reforma do saber. Uma Faculdade da Irrelevância Comparada, em que se estudem matérias inúteis ou impossíveis. A faculdade destina-se a reproduzir estudiosos em condições de aumentarem até ao infinito o número das matérias irrelevantes.
(...)
- (...) Você devia colaborar. O rapaz tem estofo, não tem, Jacopo?
- Sim, percebi-o logo. Ontem à noite construiu raciocínios estúpidos com muita agudeza."
“Se não falas, vou encher o meu coração
Com o teu silêncio, e aguentá-lo.
Ficarei quieto, esperando, como a noite
Em sua vigília estrelada,
Com a cabeça pacientemente inclinada.

A manhã certamente virá,
A escuridão se dissipará, e a tua voz
Se derramará em torrentes douradas por todo o céu.

Então as tuas palavras voarão
Em canções de cada ninho dos meus pássaros,
E as tuas melodias brotarão
Em flores por todos os recantos da minha floresta.”
“Conformism is the stubborn certainty of those who are insecure.”
“Il y a quelque chose de plus fort que la mort, c’est la présence des absents, dans la mémoire des vivants.”
“Não nos iludamos. Todos nós, mesmo aqueles que pensam por dever profissional, somos muitas vezes pobres-em-pensamentos (...). (...) Pois, hoje toma-se conhecimento de tudo pelo caminho mais rápido e mais económico e, no mesmo instante e com a mesma rapidez, tudo se esquece. Do mesmo modo, os actos festivos sucedem-se uns aos outros. As comemorações tornam-se cada vez mais pobres-em-pensamentos. Comemorações e ausência-de-pensamentos andam intimamente associadas.
(...)
(...) O Homem actual <<está em fuga do pensamento>>.”
“Every established order tends to produce the naturalization of its own arbitrariness.”
"Both animals and men share the activities of eating, sleeping, mating and defending. But the special property of the humans is that they are able to engage in spiritual life. Therefore without spiritual life, humans are on the level of animals."

quarta-feira, 11 de maio de 2022

“Os Indiferentes”

“Fingir”, pensou ele, voltando a fechar a porta com precaução, “é justo fingir”. Voltou à parede e tornou a contemplar a aguarela (...); oprimia-o uma náusea leve e fastidiosa, como quando se sente desenvolver-se o vómito e se quer detê-lo; mas este pensamento: “no fim de contas, ela é como eu”, serviu para o induzir, finalmente, a um pouco de compaixão para com aquela figura de mentirosa sem necessidade. “Somos todos iguais”, pensou, “de entre as mil maneiras de fazer uma acção, escolhemos sempre, instintivamente, a pior”.