“(...) mostrava que existia apenas uma lei abrangendo tanto o mundo das coisas como o da imaginação. Era a lei da metamorfose.”
quarta-feira, 11 de maio de 2022
“Reflexões Sobre as Causas da Liberdade e da Opressão Social”
“É injusto afirmar (...) que o fascismo aniquila o pensamento livre; é na realidade a ausência de pensamento livre que torna possível impor pela força doutrinas oficiais inteiramente desprovidas de significação.”
"Peixe Solúvel"
“O eco presente é o das lágrimas e da beleza própria das aventuras ilegíveis, dos sonhos truncados.”
"Peixe Solúvel"
“É na doce evasão chamada futuro, evasão sempre possível, que se reabsorvem os astros até aí debruçados sobre a nossa angústia.”
“O ser humano não é completamente condicionado e definido. Ele define-se a si próprio seja cedendo às circunstâncias, seja insurgindo-se diante delas. Em outras palavras, o ser humano é, essencialmente, dotado de livre-arbítrio. Ele não existe simplesmente, mas decide sempre como será a sua existência, no que se tornará no momento seguinte.”
"The inherent tendency of the State is to concentrate, to narrow, and monopolize all social activities; the nature of revolution is, on the contrary, to grow, to broaden, and disseminate itself in ever-wider circles. In other words, the State is institutional and static; revolution is fluent, dynamic.“
domingo, 20 de junho de 2021
“O Amor é o Murmúrio da Terra"
“O amor é o murmúrio da terra
quando as estrelas se apagam
e os ventos da aurora vagam
no nascimento do dia...
O ridente abandono,
a rútila alegria
dos lábios, da fonte
e da onda que arremete
do mar...
O amor é a memória
que o tempo não mata,
a canção bem-amada
feliz e absurda...
E a música inaudível...
O silêncio que treme
e parece ocupar
o coração que freme
quando a melodia
do canto de um pássaro
parece ficar...
O amor é Deus em plenitude
a infinita medida
das dádivas que vêm
com o sol e com a chuva
seja na montanha
seja na planura
a chuva que corre
e o tesouro armazenado
no fim do arco-íris.”
quando as estrelas se apagam
e os ventos da aurora vagam
no nascimento do dia...
O ridente abandono,
a rútila alegria
dos lábios, da fonte
e da onda que arremete
do mar...
O amor é a memória
que o tempo não mata,
a canção bem-amada
feliz e absurda...
E a música inaudível...
O silêncio que treme
e parece ocupar
o coração que freme
quando a melodia
do canto de um pássaro
parece ficar...
O amor é Deus em plenitude
a infinita medida
das dádivas que vêm
com o sol e com a chuva
seja na montanha
seja na planura
a chuva que corre
e o tesouro armazenado
no fim do arco-íris.”
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021
Episódios de Intro(a)versão: Um Estranho Mete Conversa Comigo
Estou num café. Acabo de beber o meu chá. Vou até ao balcão pagar a conta. O gajo do café recebe o dinheiro, olha para o livro que tenho comigo (“Vagabundos do Dharma” de Jack Kerouac) e pergunta se pode ver. Digo que sim, um pouco atrapalhada, e acrescento que não é grande coisa:
(É preciso notar que ao longo de todo este árduo diálogo, árduo para mim, eu estava super constrangida).
-Chamou-me a atenção porque tem “dharma” no título. Mas dharma tem a ver com uma filosofia de vida e o budismo, é um contrassenso "vagabundos do dharma”...
Reviro os olhos mentalmente (por que raio sou assim?!), mas o rapaz até parece ser porreiro, por isso explico qualquer coisa acerca da altura em que foi escrito, etc., etc. E ele:
-Pois, agora comecei a ler umas coisas, mas não são romances...
-Bom, isto não é bem um romance (pelo menos no sentido que me pareceu que ele estava a dar à palavra). Não conheces o autor?
-Não. Ando a ler cenas de Filosofia. Descobri o Comte.
-Sartre e Foucault são muito bons...
Ele acena com a cabeça e atira:
-Acabei agora de ler “O Anticristo”.
(Não consigo evitar de pensar que li isso aos 15 anos... Reviro outra vez os olhos mentalmente... Por que raio sou assim?!)
-O Nietzsche é o maior! - respondo-lhe a sorrir.
Lentamente, pego no livro que estava em cima do balcão e começo a mover-me no sentido de me pirar dali para fora da forma mais natural possível. É MUITO DOLOROSO PARA MIM FALAR COM ESTRANHOS (eu vou àquele café quase todos os dias, mas ainda assim para mim, o gajo é um estranho!).
Ele, em plena sincronia, move-se também e sai do balcão cá para fora. Diz mais qualquer coisa, eu começo a ficar desesperada, mas sorrio com toda a naturalidade possível. Até que ele começa a sentir-se mal e diz:
-Oh desculpa, estou a aborrecer-te!
(Eu penso para mim: até pareces ser fixe e eu gosto de falar sobre estas coisas...) Mas o que me sai da boca é o seguinte (não sei por que razão):
-Não faz mal - digo-o a sorrir.
(...devo ter ficado a parecer um pouco psicopata...)
(E não era mesmo isto que eu queria dizer...)
Por esta altura, o meu sorriso já deve começar a parecer-se com o do Joker. Tendo noção disso, fico ainda mais nervosa. Entro em pânico e atiro um:
-Bom fim de semana! (Uma vez que era sábado).
Continuo a sorrir estupidamente enquanto saio porta fora. Parece que os músculos da face congelaram.
Vou o mais rápido que posso para não dar nenhuma hipótese de o diálogo prosseguir (na minha cabeça parecia mesmo que estava em fuga). Entro no carro e ponho-me a andar. Passei a viagem toda a rir à gargalhada e só me vinha à cabeça a palavra: awkward awkward awkward awkward ...
É assim a vida da malta introvertida! Sempre dá para rir (sozinha).
24-08-2020
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