quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

"Noites Brancas"

"- Gosto de si porque não se apaixonou por mim. Outro qualquer, no seu lugar, começaria a incomodar-me, a importar-se, a queixar-se, a sofrer, mas você é tão querido!"

"Noites Brancas"

"É que, quando estamos infelizes, sentimos mais a desgraça dos outros; o sentimento não se dispersa, concentra-se..."

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

"As Formas Do Esquecimento"

"(...) o recalcamento não incide sobre o acontecimento, sobre a recordação ou sobre o vestígio isolado enquanto tais, mas sobre as conexões entre recordações ou entre traços, «conexões que até mesmo as nossas redes ferroviárias, onde coexistem comboios de alta velocidade e linhas desafectadas, não nos fornecem senão uma pálida imagem». Mais do que recordar, conclui Pontalis, é preciso portanto associar, associar livremente como tentam os surrealistas, associar, quer dizer, «dissociar as ligações instituídas, bem instaladas, para fazer aparecer outras, que são muitas vezes ligações perigosas...»."

domingo, 24 de janeiro de 2010

"As Formas Do Esquecimento"

"Arrisco uma fórmula: diz-me o que esqueces, dir-te-ei quem és."

"As Formas Do Esquecimento"

"Recordar ou esquecer é fazer um trabalho de jardineiro, seleccionar, desbastar. As recordações são como as plantas: há algumas que é preciso eliminar rapidamente para ajudar as outras a desabrochar, a transformar-se, a florescer. Estas plantas que cumprem o seu destino, estas plantas desabrochadas, esqueceram-se de algum modo de si próprias para se transformar: entre as sementes e as estacas que as fizeram nascer e aquilo em que se transformaram não há nenhuma relação aparente; a flor, neste sentido, é o esquecimento da semente (recordemos o verso de Malherbe que continua esta história: «E os frutos ultrapassaram a promessa das flores.»)."

sábado, 23 de janeiro de 2010

"As Formas Do Esquecimento"

"O fascista não tem memória. Não aprende nada. Isto equivale também a dizer que não esquece nada, que vive no presente perpétuo das suas obsessões."

"As Formas Do Esquecimento"

"Fazer o elogio do esquecimento não é vilipendiar a memória, e ainda menos ignorar a recordação, mas reconhecer o trabalho do esquecimento na primeira e assinalar a sua presença na segunda. A memória e o esquecimento mantêm de algum modo a mesma relação que existe entre a vida e a morte."

"As Formas Do Esquecimento"

"A relativização de uma cultura por outra (a mudança de «quadro de referência») é, no fundo, um exercício anticulturalista que respeita acima de tudo, em cada cultura, o poder que ela tem de desestabilizar as outras."