"A relação com o tempo pensa-se sempre no singular-plural. O que significa que são precisos pelos menos dois para esquecer, quer dizer, para gerar o tempo."
sábado, 23 de janeiro de 2010
"O Dom"
"(...) Fedor lembrava-se de o seu pai dizer que em cada homem existe o sentimento inato de que a pena de morte tem qualquer coisa de insuperavelmente anormal, algo como a inquietante inversão dos gestos ao espelho que nos transforma todos em canhotos (...)."
"O Dom"
"Nos escritos doutro crítico radical, Zaitsev, era cómico encontrar, quarenta anos antes de Freud, a teoria de que «todos esses sentimentos estéticos e outras ilusões "que nos elevam" não passam de modificações do instinto sexual...» (...)."
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
"As Formas Do Esquecimento"
"É evidente que a nossa memória depressa ficaria «saturada» se tivéssemos de conservar todas as imagens da infância, particularmente as da nossa mais tenra infância. Interessante, porém, é o que fica. E o que fica - recordações ou vestígios -, o que fica é o produto de uma erosão pelo esquecimento. As recordações são moldadas pelo esquecimento como os contornos da costa o são pelo mar."
"As Formas Do Esquecimento"
"O esquecimento (...) é a força viva da memória e a recordação o seu produto."
domingo, 17 de janeiro de 2010
"Ce Temps Qui Ne Passe Pas"
"O que está inscrito e é marcante não é a recordação, são os traços, sinais da ausência."
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
"O Dom"
"- És capaz de me dizer porque é que as mariposas voam para a luz? Não há ninguém que saiba.
- E tu sabes?
- Parece-me sempre que, se me concentrar com bastante força, preciso só dum minuto para adivinhar. O meu pai dizia que se assemelhava sobretudo a uma perda de equilíbrio, como quando se aprende a andar de bicicleta e somos atraídos por uma cova. Olha para ela a andar em círculos! Mas há qualquer coisa mais profunda aqui, daqui a um minuto já sei."
- E tu sabes?
- Parece-me sempre que, se me concentrar com bastante força, preciso só dum minuto para adivinhar. O meu pai dizia que se assemelhava sobretudo a uma perda de equilíbrio, como quando se aprende a andar de bicicleta e somos atraídos por uma cova. Olha para ela a andar em círculos! Mas há qualquer coisa mais profunda aqui, daqui a um minuto já sei."
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