sexta-feira, 23 de outubro de 2009

"Die Leiden des Jungen Werthers"

"Desviei o olhar. Ela não devia ter feito aquilo! Não devia inflamar-me a imaginação com aqueles quadros de venturosa inocência, nem despertar-me o coração desse sono em que o aborrecimento da vida se embala tantas vezes."

"Die Leiden des Jungen Werthers"

"Tudo, tudo desapareceu! Nem um vestígio do mundo passado! Nem uma pulsação do meu sentir desse tempo. Sou como um fantasma que voltasse ao seu magnífico castelo, construído quando príncipe poderoso e por ele legado na hora extrema a um filho querido, e das riquezas amontoadas nesse soberbo edifício apenas viesse encontrar cinzas, escombros, ruínas..."

terça-feira, 20 de outubro de 2009

"Die Leiden des Jungen Werthers"

"Conta-se que há uma raça de cavalos, que, quando perseguidos, abrem por instinto a si próprios uma veia com os dentes, para poderem respirar mais livremente."

"Die Leiden des Jungen Werthers"

"- A natureza humana - prossegui - tem os seus limites, pode suportar, até um certo grau, a alegria, a dor e a tristeza; quando porém, se ultrapassa esse grau, a natureza sucumbe. Pouco importa saber se um homem é fraco ou forte, mas apenas se é capaz de suportar os seus sofrimentos, quer físicos quer mortais; e, na minha opinião, é tão desassisado qualificar de covarde o homem que se suicida como chamá-lo ao que morre de uma febre maligna."

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

"No mais profundo de si mesmo, o nosso ser rebela-se em absoluto contra todos os limites. Os limites físicos são-nos tão insuportáveis quanto os limites do que nos é psiquicamente possível: não fazem verdadeiramente parte de nós. Circunscrevem-nos mais estreitamente do que desejaríamos."

domingo, 18 de outubro de 2009

"O Caso Mental Português"

"Ora a civilização consiste simplesmente na substituição do artificial ao natural no uso e correnteza da vida. Tudo quanto constitui a civilização, por mais natural que nos hoje pareça, são artifícios: o transporte sobre rodas, o discurso disposto em verso escrito, renegam a naturalidade original dos pés e da prosa falada.
A artificialidade, porém, é de dois tipos. Há aquela, acumulada através das eras, e que, tendo-a já encontrado quando nascemos, achamos natural; e há aquela que todos os dias se vai acrescentando à primeira. A esta segunda é uso chamar «progresso» e dizer que é «moderno» o que vem dela. Ora o campónio, o provinciano e o citadino diferenciam-se entre si pelas suas diferentes reacções a esta segunda artificialidade."