"Ah! Carlota! Isto é um sentimento único, e, contudo, nada se assemelha mais a um sonho do que dizer-se: «É esta a derradeira manhã!» A derradeira! Carlota, e custa-me compreender o sentido destas palavras: a derradeira; hoje vejo-me ainda de pé, cheio de força! E amanhã, hirto, imóvel, estirado sob a terra fria! Morrer! O que é morrer? Nós sonhamos quando falamos na morte. Tenho visto morrer muita gente; mas o homem é tão ignorante que, apesar do que vê, não tem uma ideia nítida do começo e do fim da sua existência. Por enquanto sou ainda meu... não! teu... teu, minha bem amada! E, um momento depois, separados, apartados talvez para sempre! Não, Carlota, não! Como hei-de eu desaparecer! Que quer dizer isto? São ainda outras palavras, um som oco, que o meu coração não compreende nem ouve! Morto, Carlota! Sepultado na terra fria, numa cova tão estreita! Tão negra!"
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009
"Die Leiden des Jungen Werthers"
"Sabe Deus quantas vezes tenho adormecido com o desejo, até mesmo com a esperança, de não mais acordar! Mas no dia seguinte, abro os olhos, torno a ver o sol e sinto-me miserável!"
"Die Leiden des Jungen Werthers"
"Desviei o olhar. Ela não devia ter feito aquilo! Não devia inflamar-me a imaginação com aqueles quadros de venturosa inocência, nem despertar-me o coração desse sono em que o aborrecimento da vida se embala tantas vezes."
"Die Leiden des Jungen Werthers"
"Tudo, tudo desapareceu! Nem um vestígio do mundo passado! Nem uma pulsação do meu sentir desse tempo. Sou como um fantasma que voltasse ao seu magnífico castelo, construído quando príncipe poderoso e por ele legado na hora extrema a um filho querido, e das riquezas amontoadas nesse soberbo edifício apenas viesse encontrar cinzas, escombros, ruínas..."
terça-feira, 20 de outubro de 2009
"Die Leiden des Jungen Werthers"
"Conta-se que há uma raça de cavalos, que, quando perseguidos, abrem por instinto a si próprios uma veia com os dentes, para poderem respirar mais livremente."
"Die Leiden des Jungen Werthers"
"- A natureza humana - prossegui - tem os seus limites, pode suportar, até um certo grau, a alegria, a dor e a tristeza; quando porém, se ultrapassa esse grau, a natureza sucumbe. Pouco importa saber se um homem é fraco ou forte, mas apenas se é capaz de suportar os seus sofrimentos, quer físicos quer mortais; e, na minha opinião, é tão desassisado qualificar de covarde o homem que se suicida como chamá-lo ao que morre de uma febre maligna."
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
"Die Leiden des Jungen Werthers"
"Acontece com a distância o mesmo que com o futuro. Cobre-nos a alma uma enorme escuridão; o pensamento mergulha nela e ilude-se como o nosso olhar: sentimos o desejo ardente de sacrificar toda a existência, para nos absorvermos, com inefável alegria, no sentimento do infinito! Mas... quando lá chegamos, quando o longínquo se aproxima de nós, tudo nos aparece no mesmo estado; conservamo-nos em igual miséria; rodeia-nos idêntica tristeza e a nossa alma sedenta suspira baldadamente o bálsamo pela aventura que acaba de lhe fugir."
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