quinta-feira, 13 de junho de 2019

"Pensando a Esquizofrenia na Criança"


"Manifesto do Surrealismo" (1924)

“Querida imaginação, o que eu amo em ti acima de tudo é que não perdoas.
A simples palavra liberdade é tudo o que me exalta ainda. (...)
Resta a loucura (...). (...) Todos sabemos, efectivamente, que os loucos devem o seu internamento apenas a um pequeno número de actos legalmente repreensíveis, e que, se não fossem esses actos, a sua liberdade (aquilo que se vê da sua liberdade) não poderia estar em jogo. Que eles são, em determinada medida, vítimas da sua imaginação (...). Mas o profundo desapego de que eles dão prova relativamente à crítica que lhes fazemos (...) permite supor que eles retiram grande conforto da sua imaginação, que saboreiam suficientemente o seu delírio para suportarem que só para eles seja válido. E, de facto, as alucinações, as ilusões, etc., não são uma fonte de prazer a desprezar. (...) São pessoas de uma honestidade escrupulosa, e cuja inocência iguala apenas a minha. (...)
Não será o receio da loucura que nos irá forçar a deixarmos a meia haste a bandeira da imaginação.”

"Paul Ricoeur, Uma Homenagem" (ISPA)


segunda-feira, 3 de junho de 2019

quinta-feira, 9 de maio de 2019

"Cadernos da Casa Morta"

"(…) mal ficou sem farda, perdeu todo o efeito que causava dantes. De farda, era ameaçador, era Deus. De sobrecasaca, era uma nulidade, parecia um lacaio. É impressionante o que a farda pode ser para algumas pessoas."

quarta-feira, 1 de maio de 2019

"Cadernos da Casa Morta"

"Porém, será possível fazer-se o que estou a tentar fazer agora: dividir os habitantes de uma prisão em categorias? A realidade é infinitamente mais variada do que todas as conclusões do pensamento abstracto, por mais sofisticadas que sejam, e não suporta classificações forçadas e generalizadas. Também nós tínhamos a nossa vida individual, por mais humilde que fosse; não vivíamos só a vida oficial, mas também uma vida interior, só nossa."

"Cadernos da Casa Morta"

"A tirania é um hábito; como tal, tem capacidade de evoluir e evolui, acabando por se tornar uma doença. Afirmo que o melhor dos homens pode ficar bruto e cretino até ao estado animalesco por força do hábito. O sangue e o poder embriagam: desenvolve-se a rigidez, a degradação; os fenómenos mais anormais tornam-se acessíveis e, por fim, doces à mente. O homem e o cidadão perecem no tirano para sempre, e o regresso à dignidade humana, ao arrependimento, ao renascimento tornam-se quase impossíveis para ele. Além disso, o exemplo, a própria possibilidade do arbítrio são contagiosos para toda a sociedade: um tal poder é sedutor. A sociedade que se mostre indiferente a este fenómeno é contaminada nos seus alicerces."

terça-feira, 9 de abril de 2019