"Nesse Outono aprendera que um homem pode transpor os umbrais da morte embora o seu corpo continue vivo. O nosso sangue ainda circula e o nosso estômago ainda digere, mas nós já passámos por toda a preparação psicológica para a morte... e sobrevivemos à própria morte. É como se víssemos da sepultura tudo quanto nos rodeia. E embora nunca nos considerássemos um cristão - pelo contrário, às vezes consideramo-nos precisamente o oposto! -, de repente compreendemos que perdoámos a todos quantos nos ofenderam e não acalentaremos qualquer má vontade contra os que nos perseguiram. Sentimo-nos pura e simplesmente indiferentes a tudo e a todos. Não estamos para modificar nada, não lamentamos nada... Diria até que atingimos um estado de equilíbrio semelhante ao das árvores e das pedras. Tiraram-me desse estádio, mas não sei se me devo sentir contente com isso se não. Significa o regresso de todas as minhas paixões, boas e más."
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
"Livro Do Desassossego"
"Reconheço hoje que falhei; só pasmo, às vezes, de não ter previsto que falharia. (...) Eu não tinha a força cega dos vencedores ou a visão certa dos loucos... Era lúcido e triste como um dia frio."
terça-feira, 30 de julho de 2013
"Últimos Escritos Sobre a Filosofia da Psicologia"
"O aspecto é dependente da vontade. É, por isso, parecido com a imaginação."
domingo, 7 de abril de 2013
"Contos A Ninon"
"À medida que caminhavam, divisaram, sentado ao pé de um desses muros, um homenzinho de aspecto miserável. À sua chegada a pobre criatura levantou-se arrastando os pés, e a tremer de fome.
- Por caridade, meus bons senhores! - disse ele.
- Caridade! - exclamou Médéric - Meu caro, não sei onde ela pára. Ter-se-ia você perdido como nós? Muito favor nos faria se nos indicasse onde fica o Reino dos Felizes.
- Por caridade, meus bons senhores. - repetiu o mendigo - Há três dias que não como.
(...)
O pobre homem tornou a sentar-se ao pé do muro. Esfregava as mãos uma na outra, fechando os olhos de fraqueza.
- Que fome tenho! - disse em voz baixa.
(...)
- Essa agora, meu caro! então é cego? Estenda a mão. Mesmo em frente do nariz tem um pêssego magnífico que lhe servirá de comida e de bebida ao mesmo tempo.
- Esse pêssego não é meu - respondeu o pobre.
(...)
- (...) Este pêssego não te pertence e tu não ousas pegar-lhe, obedecendo às leis do teu país, conformando-te com essa ideia do respeito à propriedade que tu chupaste com o leite da tua mãe. São essas boas crenças que devem ser bem ensinadas entre os homens, se querem que o vacilante madeiramento da sua sociedade não desabe aos primeiros ataques do espírito de enxame. Eu, que não pertenço a esta sociedade, que recuso toda a fraternidade dos meus irmãos, posso infringir-lhes as leis, sem fazer o mais pequeno mal à sua legislação, nem às suas crenças morais. Toma, pois, este fruto e come-o, pobre miserável. Se me exponho ao castigo, é com alegria que o faço.
(...) Médéric colheu o pêssego e ofereceu-o ao mendigo. Este apoderou-se dele, observando-o avidamente. Depois, em vez de o levar à boca, atirou com ele para dentro do parque, por cima do muro. (...)
- Meu rapaz - disse a Sidónio - peço-te que repares neste homem. É o mais puro tipo da humanidade. Sofre e obedece; tem orgulho em sofrer e obedecer."
(...)
- (...) Este pêssego não te pertence e tu não ousas pegar-lhe, obedecendo às leis do teu país, conformando-te com essa ideia do respeito à propriedade que tu chupaste com o leite da tua mãe. São essas boas crenças que devem ser bem ensinadas entre os homens, se querem que o vacilante madeiramento da sua sociedade não desabe aos primeiros ataques do espírito de enxame. Eu, que não pertenço a esta sociedade, que recuso toda a fraternidade dos meus irmãos, posso infringir-lhes as leis, sem fazer o mais pequeno mal à sua legislação, nem às suas crenças morais. Toma, pois, este fruto e come-o, pobre miserável. Se me exponho ao castigo, é com alegria que o faço.
(...) Médéric colheu o pêssego e ofereceu-o ao mendigo. Este apoderou-se dele, observando-o avidamente. Depois, em vez de o levar à boca, atirou com ele para dentro do parque, por cima do muro. (...)
- Meu rapaz - disse a Sidónio - peço-te que repares neste homem. É o mais puro tipo da humanidade. Sofre e obedece; tem orgulho em sofrer e obedecer."
domingo, 31 de março de 2013
"Contos A Ninon"
"O meu método é simplíssimo; conto aplicá-lo extensamente um destes dias. Baseia-se no nada do homem. Quando o historiador interroga os séculos, vê as sociedades, partindo da primitiva inocência, elevarem-se às mais altas civilizações e caírem depois de novo na antiga selvajaria. Assim, sucedem-se os impérios que desabam alternativamente; cada vez que um povo se crê chegado à suprema ciência, é esta mesma ciência a causa da sua ruína, e o mundo volta logo à nativa ignorância."
domingo, 17 de fevereiro de 2013
"Contos A Ninon"
"O nosso rei, um pobre pateta, morreu há duas horas, dum desarranjo de ventre, por ter visto os Verdes do outro lado da planície. Eis-nos pois sem chefe que nos sobrecarregue de impostos, que nos faça matar em nome do bem público. Ora isto é, como sabes, um estado de liberdade que desagrada geralmente os povos. Precisamos de um rei, o mais cedo possível; e, na nossa precipitação de nos postarmos diante de pés reais, acabamos de nos lembrar de ti que tão valentemente te bateste."
sábado, 10 de novembro de 2012
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