quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

"O Anarquismo na Sociedade Pós-Industrial: Insurreccionalismo, Informalidade, Metodologia Anárquica no Início do Novo Milénio"

"Nenhum movimento ou pensamento anarquista pode procurar atingir o ideal igualitário, porque a sua primeira causa é justamente a negação de todas as formas de padronização. A igualdade é aceite como ideal de paridade nas condições de vida para todos os indivíduos como base para o livre desenvolvimento da unicidade dos mesmos.
(...). Daqui se pode concluir que o anarquismo é um conjunto de posições políticas fundadas sobre a autodeterminação individual." 

"O Anarquismo na Sociedade Pós-Industrial: Insurreccionalismo, Informalidade, Metodologia Anárquica no Início do Novo Milénio"

"Compreender o anarquismo significa entender os elementos que, para além dos aspectos doutrinários, estão enraizados em cada indivíduo em perpétua tensão existencial.
Um dos elementos base do anarquismo é o reconhecimento da proeminência dos indivíduos, de cada indivíduo, no âmbito do universo humano."

"Animal Liberation And Social Revolution"

"Revolução é o processo - não o evento - de desafiar a falsidade da sabedoria e dos valores que nos foram ensinados; e ao desafiar as acções, aprendemos a fazer e a não fazer. (...) Eliminar os opressores da nossa cabeça será a revolução (...). A revolução social é a colecção dos processos internos."

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

"O Canto do Bode: Uma Análise Trágica Sobre a Condição Humana que, Possivelmente, Não é Nenhuma"

"A diferença entre a Psicanálise de Bion e outras Psicanálises é que K e O são incógnitas que podem assumir vários valores conjecturais. Isto é, o que se procura não é converter o homossexual em heterossexual ou em transsexual, o que sofre no que tem prazer, o que se mata no que quer viver, o que chora no que ri, o que faz mal as contas no que as faz bem. O que se procura é que o paciente consiga uma atitude de investigação (K) face à sua realidade (O)."

domingo, 15 de dezembro de 2013

"O Pavilhão dos Cancerosos"

"Pensamos sempre na morte como sendo negra, mas só os preliminares são negros. A morte propriamente dita é branca.
Como os homens são mortais, Rusanov soubera sempre que, um dia, também chegaria a sua vez. Mas «um dia», e não agora. Não tinha medo de morrer «um dia»; tinha medo de morrer agora. Como seria? Que sucederia depois? Como continuaria a vida sem ele?"

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

"Livro do Desassossego"

"Como todo o sonhador, senti sempre que o meu mister era criar. Como nunca soube fazer um esforço ou activar uma intenção, criar coincidiu-me sempre com sonhar, querer ou desejar, e fazer gestos com sonhar os gestos que desejaria poder fazer."

"Livro do Desassossego"

"O meu estoicismo é uma necessidade orgânica. Preciso de me couraçar contra a vida."

"Últimos Escritos Sobre a Filosofia da Psicologia"

"866. O que tem de aprender a criança antes de poder fingir?
Por exemplo, o emprego de palavras como: "Ele acredita que tenho dores, mas não tenho."

867. A criança faz a experiência que é mais bem tratada se, por exemplo, gritar com dores; ela grita, então, para ser tratada desse modo. Isto não é fingimento. Somente uma raiz do fingimento.

868. Uma criança tem de aprender muitas coisas antes de poder fingir.

869. Tem de aprender um complicado modelo de comportamento antes de poder ser fingida ou sincera.

(...)

871. A criança aprende também a imitar a dor. Aprende o jogo: comportar-me como quando temos dores.

872. "Quando uma criança sabe o que são dores, também sabe, naturalmente, que as podemos fingir."

(...)

874. Ela não apenas aprende o uso da expressão "ter dores" em todas as suas pessoas, tempos e números, como também aprende isso em conexão com a negação e os verbos de opinião. Pois: acreditar, duvidar, etc. que outra pessoa tem dores são modos naturais do nosso comportamento para com os outros. (Ela aprende "Acredito que ele tem...", "Ele acredita que tenho...", etc., etc. - mas não "Acredito que tenho.")

(...)

877. A incerteza sobre se o outro... é um traço (essencial) de todos estes jogos de linguagem. Mas isto não significa que cada pessoa está desesperadamente em dúvida sobre se o outro sente."

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

"O Pavilhão dos Cancerosos"

"Nesse Outono aprendera que um homem pode transpor os umbrais da morte embora o seu corpo continue vivo. O nosso sangue ainda circula e o nosso estômago ainda digere, mas nós já passámos por toda a preparação psicológica para a morte... e sobrevivemos à própria morte. É como se víssemos da sepultura tudo quanto nos rodeia. E embora nunca nos considerássemos um cristão - pelo contrário, às vezes consideramo-nos precisamente o oposto! -, de repente compreendemos que perdoámos a todos quantos nos ofenderam e não acalentaremos qualquer má vontade contra os que nos perseguiram. Sentimo-nos pura e simplesmente indiferentes a tudo e a todos. Não estamos para modificar nada, não lamentamos nada... Diria até que atingimos um estado de equilíbrio semelhante ao das árvores e das pedras. Tiraram-me desse estádio, mas não sei se me devo sentir contente com isso se não. Significa o regresso de todas as minhas paixões, boas e más."

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

"Livro Do Desassossego"

"Reconheço hoje que falhei; só pasmo, às vezes, de não ter previsto que falharia. (...) Eu não tinha a força cega dos vencedores ou a visão certa dos loucos... Era lúcido e triste como um dia frio."

domingo, 7 de abril de 2013

"Contos A Ninon"

"À medida que caminhavam, divisaram, sentado ao pé de um desses muros, um homenzinho de aspecto miserável. À sua chegada a pobre criatura levantou-se arrastando os pés, e a tremer de fome.
- Por caridade, meus bons senhores! - disse ele.
- Caridade! - exclamou Médéric - Meu caro, não sei onde ela pára. Ter-se-ia você perdido como nós? Muito favor nos faria se nos indicasse onde fica o Reino dos Felizes.
- Por caridade, meus bons senhores. - repetiu o mendigo - Há três dias que não como.
(...)
O pobre homem tornou a sentar-se ao pé do muro. Esfregava as mãos uma na outra, fechando os olhos de fraqueza.
- Que fome tenho! - disse em voz baixa.
(...)
- Essa agora, meu caro! então é cego? Estenda a mão. Mesmo em frente do nariz tem um pêssego magnífico que lhe servirá de comida e de bebida ao mesmo tempo.
- Esse pêssego não é meu - respondeu o pobre.
(...)
- (...) Este pêssego não te pertence e tu não ousas pegar-lhe, obedecendo às leis do teu país, conformando-te com essa ideia do respeito à propriedade que tu chupaste com o leite da tua mãe. São essas boas crenças que devem ser bem ensinadas entre os homens, se querem que o vacilante madeiramento da sua sociedade não desabe aos primeiros ataques do espírito de enxame. Eu, que não pertenço a esta sociedade, que recuso toda a fraternidade dos meus irmãos, posso infringir-lhes as leis, sem fazer o mais pequeno mal à sua legislação, nem às suas crenças morais. Toma, pois, este fruto e come-o, pobre miserável. Se me exponho ao castigo, é com alegria que o faço.
(...) Médéric colheu o pêssego e ofereceu-o ao mendigo. Este apoderou-se dele, observando-o avidamente. Depois, em vez de o levar à boca, atirou com ele para dentro do parque, por cima do muro. (...)
- Meu rapaz - disse a Sidónio - peço-te que repares neste homem. É o mais puro tipo da humanidade. Sofre e obedece; tem orgulho em sofrer e obedecer." 

domingo, 31 de março de 2013

"Contos A Ninon"

"O meu método é simplíssimo; conto aplicá-lo extensamente um destes dias. Baseia-se no nada do homem. Quando o historiador interroga os séculos, vê as sociedades, partindo da primitiva inocência, elevarem-se às mais altas civilizações e caírem depois de novo na antiga selvajaria. Assim, sucedem-se os impérios que desabam alternativamente; cada vez que um povo se crê chegado à suprema ciência, é esta mesma ciência a causa da sua ruína, e o mundo volta logo à nativa ignorância."

domingo, 17 de fevereiro de 2013

"Contos A Ninon"

"O nosso rei, um pobre pateta, morreu há duas horas, dum desarranjo de ventre, por ter visto os Verdes do outro lado da planície. Eis-nos pois sem chefe que nos sobrecarregue de impostos, que nos faça matar em nome do bem público. Ora isto é, como sabes, um estado de liberdade que desagrada geralmente os povos. Precisamos de um rei, o mais cedo possível; e, na nossa precipitação de nos postarmos diante de pés reais, acabamos de nos lembrar de ti que tão valentemente te bateste."